sexta-feira, 5 de junho de 2009

Larrousse LH93 (1993)

Esse carro parecia meu tênis da infância. As cores eram as mesmas. Talvez por isso eu gostasse tanto dessa equipe quando era pequeno. Inofensiva, sempre foi assim a Larrousse, assim como aquele LH93. Mas aquela foi uma temporada dura para o time francês. Apenas 3 pontos em 16 corridas, nada mais que isso. Dois deles com o eterno Philippe Alliot, um piloto que apenas vi correr nesse time. Outro com Erik Comas.

Não existe qualquer tipo de lembrança positiva quando ao aspecto técnico. Posso apenas dizer que era um carro com problemas na caixa de marcha, devido ao alto índice de abandonos por conta disso e um motor resistente, mas fraco. Mas esse motor era mesmo diferente. Um Lamborghini. Muito estranho um motor desses se aventurando em terras da Fórmula 1.

Engana-se quem pensa isso. Pensa certo apenas os que arriscaram na falta de qualidade do motor, não na quantidade de corridas. Ele correu em 80 corridas, ficou de fora de 49 das que buscou classificação. Foram 4 temporadas, 18 pilotos e apenas 1 pódio. Em termos de pontos, apenas 20. Não falo da equipe Larrousse, falo do motor Lamborghini. Mas que lástima esse motor.

Bom, a equipe também não foi grande coisa em sua história. Apenas 5 pontos. Que fique claro, nos quatro anos em que correu como Larrousse, foi em 1993, com esse LH93, que viria o melhor resultado de todos os tempos: um quinto lugar com Alliot. Não deve-se confundir com a Lola, equipe de cores semelhantes, que correu, pelo menos em 1988 com um carro semelhante e com Alliot no comando. Enfim, esse carro me lembra como adorava a temporada mágica de 1993.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Jaguar R4 (2003)


Por que essa equipe falhou? Era um carro de uma marca bem forte, que no início teve um piloto que herdou muitas tecnologias do principal carro da categoria, Eddie Irvine. Na realidade o irlandês foi o que mais perto chegou de colocar o alemão com o número dois em seu carro durante toda sua carreira.

Esse carro é mais marcante por suas falhas que por suas virtudes. Para começar, ter um motor Cosworth em pleno século XXI significa fracasso na certa. Nos testes tudo deu certo, mas na hora de pôr o carro para rodar, faltava estabilidade e rapidez, ou seja, tudo. Redesenhado completamente do modelo anterior, o modelo R4 manteria o mesmo sétimo lugar nos Construtores com o R3 e com o R5.

Mark Webber foi o grande piloto a guiar esse carro, conseguindo impressionantes dezessete pontos, contra nada do brasileiro Pizzonia, que apenas marcaria nos tempos de Williams e deixaria a competição melancolicamente. Ninguém sentiria sua falta. Justin Wilson substituiria o brasileiro e em apenas cinco chances, marcaria ainda um ponto.

Mas como eram bonitos os modelos Jaguar, os mais belos dessa década. Se não deram certo, era pelo fato de que tinham herdado um modelo pobre: a Stewart. Também deixariam um carro pouco evoluído para a Red Bull, que entraria na categoria pelas portas do time inglês. Luciano Burti seria outro piloto brasileiro a dirigir um Jaguar, mas manteria a saga dos não-pontos. De positivo, apenas dois pódios conquistados por Irvine, um guerreiro.

domingo, 24 de maio de 2009

Renault R25 (2005)


Gosto muito desse carro. Não foi o melhor da temporada 2005, ficou atrás do McLaren em muitas etapas, mas teve o prazer de mostrar ao mundo um novo campeão: Fernando Alonso. Qualquer um que tirasse do trono aquele alemão chato seria bem-vindo, pena que vieram tarde demais. Se não era o mais rápido em muitas etapas? Qual a vantagem desse carro? Bom, o R25 era bem mais regular que o MP4/20 da McLaren.

Alonso aproveitou para vencer três corridas seguidas a partir da segunda etapa, depois de uma vitória de seu companheiro, Giancarlo Fisichella. Todavia, o italiano abandonaria nos três triunfos do espanhol. Da equipe, foram 8 vitórias, 6 poles, 15 pódios. Em um cartel de 18 corridas, dado em vista que esse foi o famoso ano daquele abandono geral no Grande Prêmio de Indianápolis, nada demais. Mas a equipe esteve com Alonso cinco vezes no segundo lugar. Por valer oito pontos, nada mal.

Naquela temporada a MP4/20 de Adrian Newey teve 10 vitórias, 8 poles e 12 voltas rápidas. Não foi campeã. Olhando estatísticas, difícil entender como a equipe não conseguiria sequer o Mundial de Construtores, afinal Fisichella foi um péssimo segundo piloto. Quando vista mais detalhadamente, os abandonos de Raikkonen foram cabais. Nos momentos em que o finlandês demorava várias etapas para tirar alguns pontos, perdia tudo de novo em abandonos surpreendentes. Confiabilidade é tudo. Nem mesmo a Ferrari deu a graça nesse ano, só em Indianápolis é claro.

Para Alonso, o título veio na antepenúltima etapa, no Brasil. Já o Mundial de Construtores, nessa altura do campeonato, estava ainda nas mãos da McLaren. Fisichella teve que acordar e fazer importantes pontos. Veio a coroa dupla, com título em pilotos e equipes. Nunca esquecerei esse carrinho azul que rompeu o monopólio Michael Schumacher. Como era chato ver aquele alemão ganhando corridas em troca de pneus e reabastecimento.

sábado, 23 de maio de 2009

Matra MS84 (1969)


Definitivamente a Matra foi uma equipe que entrou na brincadeira, ganhou algumas corridas e deixou a competição como se não tivesse entrado. Como Matra mesmo, os carros não conseguiram grandes sucessos, mas no ano em que esses automóveis correram como Tyrrell, atingiram seus maiores sucessos. Esse modelo MS84 não foi o do título em 1969, com o grande Jackie Stewart no comando, mas ele veio com uma particularidade mais interessante.

Para a temporada de 1969 a grande novidade veio das equipes de motor Cosworth, no caso Lotus, McLaren e a própria Matra. Todas inventaram uma moda que obviamente não deu certo, mas apenas a francesa quis ir além dos testes. Nascia um carro com tração nas quatro rodas. Uma péssima idéia, apesar de criativa. Apenas Johnny Servoz-Gavin conseguiu marcar pontos com um carro desses. Um heróico resultado. Esse era o MS84, definido pelo piloto francês como indirigível. Stewart deu algumas voltas com o carro e disse que preferia o anterior. Bela escolha.

Nessa época, se mudavam os modelos como se trocava de roupas. Foram ao total três Matras usados apenas naquela temporada. Não por coincidência aquela equipe só alcançaria grandes resultados com Stewart, ele era o melhor piloto em condições de título naquele momento e ficou de fora da dança dos modelos, ficando com o MS80. Definitivamente aquele piloto colocaria a Matra na história ao fazer daquele carro o primeiro francês a vencer um Grande Prêmio, após pleno domínio dos britânicos e italianos.

Com exceção dessa viagem, a Matra faria seis vitórias, o triplo que as adversárias Lotus e Brabham, mas com o MS80, uma evolução do fraquíssimo MS10. Mas o que importa é que sim, a principal categoria do automobilismo já teve uma idéia doida dessas. Certamente no rally esses carros com tração nas quatro rodas se dão melhor.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Sauber C21 (2002)


Esse foi o primeiro modelo da Sauber guiado pelo brasileiro Felipe Massa. Apesar de não ser uma lenda, sequer campeão, esse piloto tem o mérito de ter recuperado a auto-estima brasileira na categoria. E isso aconteceu recentemente, muitos dos leitores devem se lembrar da primeira temporada desse rapaz.

Foi um ano muito difícil, Massa teve Heidfeld como oponente e a disputa foi bem por baixo. Se o brasileiro teve apenas 4 pontos, o alemão fez somente 7 pontos. Frentzen até chegou a correr uma corrida pela Sauber naquele ano, mas não fez pontos.

De especial esse carro não tinha nada. Depois de um ano sensacional em 2001, com 21 pontos e um quarto lugar no Mundial de Construtores, o ano seguinte foi catastrófico. 11 pontos, mas ainda uma posição respeitável, um quinto lugar. Essa mudança se deu graças a uma desevolução em diversos aspectos do carro, desde o radiador e a caixa de marchas, que apesar de mais leve era mais frágil, até a suspensão do modelo. Mas nenhuma falta foi tão sentida quanto a do túnel de vento. Não era tão boa a aerodinâmica do carro.

Essa mudança foi evidente para a temporada de 2004, a segunda de Felipe, depois de um importante ano de testes como piloto da Ferrari. Aquela Sauber vinda dos túneis teria uma regularidade muito maior. Uma comparação em pontos seria desleal, dado em vista que 2002 era ainda um ano no qual a pontuação era dada até o sexto lugar. Mas que ninguém esqueça dessa C21, se Massa tem chances de título deve agradecer a esse primeiro carro.

sábado, 16 de maio de 2009

Ferrari F93A (1993)


Sou suspeito para falar da temporada 1993. Suspeitíssimo, eu diria, já que sou um fanático por esse ano da categoria. Para mim, não apenas as histórias como também os carros são muito belos. Esse Ferrari F93A entra na minha seleção apenas por isso. Quem diria que um carro dono de pífios resultados seria lembrado algum dia desses?

Pois sim, existe uma particularidade muito interessante desse modelo e que poucos se deram conta. Esse foi o último modelo desenhado por Steve Nichols, ao lado de Jean-Claude Migeot em todos os modelos que desenhou para a escuderia. Para quem não sabe, Nichols foi o desenhista de um outro velho conhecido carro de todos os fanáticos pela maior categoria do automobilismo mundial: o McLaren MP4/4, talvez o único carro que se compare ao Williams FW14B.

Alesi e Berger pouco puderam fazer durante a temporada, já que quem se recorda bem sabe que o Williams era o carro todo-poderoso do ano, seguido apenas pelo outro maravilhoso carro (no aspecto estético), McLaren MP4/8 e pela Benetton B193. Renegado àquelas velhas temporadas de resultados pífios, raridade para a Ferrari, marquei esse carro como um daqueles realmente memoráveis. De lucro, ficou a equipe à frente de um equipado pelo motor Renault: a Ligier JS39. Nada que se compare à história da equipe italiana, mas para aquele ano foi o suficiente.

Três pódios no ano inteirinho. Impressionante. Se olhar para trás, você veria aquela Ferrari de Prost e Mansell, para frente, a de Schumacher e Irvine. Essa foi a transição. Seria o princípio de uma lenda na história da Ferrari, mas o princípio do fim na carreira de Nichols, um vencedor fadado a trabalhos em equipes pequenas, como Sauber, Jordan e Jaguar. Daquela Ferrari F93A, lembro mesmo é daquele acidente do Berger nos treinos de sexta em Interlagos. Que bom para a Ferrari que existiu vida após Nichols.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

March 881 (1988)


Sabiam que um brasileiro foi a primeira cobaia de Adrian Newey? Sei que essa história está ainda um pouco mal contada, mas a primeira equipe da maior competição do automobilismo foi a March, no ano de 1988. Naquela temporada, a equipe teria o italiano Capelli e Gugelmin. Quem se lembra bem irá recordar aquele carrinho azul celeste que o brasileiro pilotou durante sua primeira temporada na categoria.

Como é costume, nenhum desenhista faz milagre logo na primeira temporada. Mesmo com Newey a história é igual. Ainda por cima, aquele motor Judd EV V8 viria para assolar algumas equipes, mesmo as grandes. Mansell viria com muita força para a disputa daquele ano no qual as McLarens desfilaram sem concorrência, mas o motor Judd na Williams conseguiu acabar com o time vencedor de 1987, no qual Piquet e o Leão concorreram até o final pelo título.

Mesmo assim, a equipe surpreenderia. Capelli alcançou um segundo lugar fantástico em Portugal, com um carro que parecia ser grande, ultrapassando muita gente grande. Conseguiria o italiano fazer 17 pontos, bem a frente por exemplo que Mansell e sua Williams, que ficaram com apenas 12. Foi um sétimo lugar incrível para a equipe. Gugelmin conseguiu 5 pontos vindos de um quarto e um quinto lugar. Em 1988, a March teve seu terceiro melhor resultado em pontos, apenas atrás das duas primeiras temporadas, em 1970 e 1971, com os carros de sete pilotos.

No ano seguinte, o penúltimo da March (que voltaria em 1992, após dois anos como Leyton House), o rendimento seria desastroso, com um quarto lugar para Gugelmin e só. Capelli, que ainda estava na equipe, mas logo depois se mudaria para a Ferrari, conseguiu terminar duas corridas naquele ano. Na escuderia italiana seu desempenho foi ainda pior, mostrando que até mesmo Newey tirou leite de pedra em sua vida. Na época dos azuis, apenas um pódio, mas um belo currículo para que o desenhista se transferisse à Williams, onde acertou a mão de vez.